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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Bolsonaro diz que não teme processos e faz nova ofensa: "Não merece ser estuprada porque é muito feia"

Ex-ministra de Direitos Humanos e PT prometem entrar com representações contra o deputado federal do PP

10/12/2014 | 19h40

Dizer que "não estupraria" a deputada federal e ex-ministra de Direitos Humanos Maria do Rosário (PT-RS) porque ela "não merece" não foi suficiente para o também deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ). Nesta terça, em entrevista a ZH, o candidato mais votado no Rio de Janeiro nas eleições deste ano "explicou" a declaração:
– Ela não merece porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia. Não faz meu gênero. Jamais a estupraria – disse, por telefone, Bolsonaro.

Bolsonaro diz que não teme processos e faz nova ofensa: "Não merece ser estuprada porque é muito feia" Renato Araújo/ABr/ABR
Jair Bolsonaro, para Maria do Rosário, segunda-feira: "Eu falei que não ia estuprar você porque você não merece" Foto: Renato Araújo/ABr / ABR
Na conversa de quase uma hora, o paulista diz que respondeu uma frase da deputada, dita em 2003 ("o senhor é quem promove essas violências"), e garante não se importar com a representação feita pelo PT contra ele, muito menos com o possível processo judicial prometido por Maria do Rosário na manhã desta terça. Bolsonaro parece tranquilo com o que disse. Para ele, foi "uma ironia":

– Eu sou a vítima. Ela é a agressora.

Leia a entrevista com o deputado federal Jair Bolsonaro:

Deputado, o que o senhor quis dizer com aquela frase?
Que eu não sou estuprador.

Mas por que a deputada Maria do Rosário "não merece" ser estuprada?
Ela não merece porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria. Eu não sou estuprador, mas, se fosse, não iria estuprar, porque não merece.

Mas o senhor acha que tem gente que "merece" ser estuprada?
O estuprador é um psicopata, ele escolhe suas vítimas. Não pega aleatoriamente. Não é a primeira mulher que passa ali numa área de penumbra que ele vai pegar e estuprar. Foi uma resposta, uma ironia naquele momento.

Em seus discursos e atitudes, o assunto que mais lhe parece caro é a segurança e a ordem. Porém, no discurso de ontem, o senhor trata com ironia um dos mais graves problemas de violência no Brasil. Segundo a Secretaria de Políticas para as Mulheres, uma mulher sofre violência a cada 12 segundos no país. O discurso do senhor não diminui a gravidade desse crime?
Você está usando a mesma linguagem de quando se fala em homofobia. O projeto 5398, de 2013, de minha autoria, aumenta a pena para estupro e propõe a castração química para estuprador. Aumento a pena para estupro de vulneráveis, até 14 anos, pedofilia.

Ok, mas o senhor entende que são duas coisas diferentes? O senhor fala de penalização para quem comete crimes, eu falo de uma cultura de diminuição da mulher. Não lhe parece que o senhor acaba fazendo com que o estupro se torne um assunto menos problemático do que ele de fato é?
Concordo, mas quem começou foi ela. 

Mas isso importa?
Importa, sim. O que eu falei foi ironia.

Mas estupro é um assunto passível de ironia?
Lógico que é passível de ironia. Para cima dela... Ora, ela me chamou de estuprador, você queria que eu respondesse como? Ela, como mulher, pode diminuir a questão chamando qualquer um de estuprador? Ela que começou o negócio.

Mas não era o caso de tratar seriamente o assunto?
Mas como? Ela é uma desequilibrada!

Mas o senhor respondeu com equilíbrio naquele momento?
Ô, companheiro, a minha reação não foi maior que a ação dela. Eu sou homem e não tenho nenhum prazer de ser chamado de estuprador. Tenho filho, tenho família.

Deputado, esse discurso não trata a mulher como objeto e acaba perpetuando uma cultura de estupro?
Olha, vou te dizer uma coisa... Vou renunciar o meu mandato, porque já me acusaram de ser responsável por uma porrada de crimes no Brasil, por causa da minha conduta. E eu sou o cara que mais bate nessa questão de segurança. Se eu for começar a pensar em palavras politicamente corretas, vai ficar difícil de conversar. Não sou politicamente correto.

O senhor é muito criticado pela forma agressiva com que trata seus opositores. O que acha dessas acusações?Não é agressiva. Se eu dou uma martelada em você por trás, você vai levantar puto, xingar minha mãe. E eu vou falar que é você que está sendo agressivo. A esquerda é especialista nisso, se vitimizam, igualzinho ao período militar: invertem de réu para vítima. Todo mundo foi preso sob tortura, mas ninguém fala o que fez antes de ser preso. Ninguém fala nada. É a especialidade deles, e é o que fizeram agora.

O senhor está sendo processado pelo PT, e a deputada Maria do Rosário disse que vai processá-lo judicialmente.
Tudo bem. É um direito dela. Pode recorrer à vontade, representação, conselho de ética, corregedoria, Justiça. Não quero me defender, não. Eu estava na tribuna da Câmara debatendo um fato passado.

O senhor acha que a sua frase configura quebra de decoro? Não. Eu recordei um fato passado, nada além disso.

Mas deputado, a quebra de decoro se configura por "tratar com desrespeito os colegas". O senhor acha que não aconteceu isso?
Não, negativo. Tratei com verdade. A verdade tortura esses caras da esquerda. PT, PSOL, PC do B não podem ouvir a verdade.

O senhor, como deputado progressista, não tem o papel de trazer a discussão sobre os direitos das mulheres à tona?
Eu sou liberal. Defendo a propriedade privada. Se você tem um comércio que emprega 30 pessoas, eu não posso obrigá-lo a empregar 15 mulheres. A mulher luta muito por direitos iguais, legal, tudo bem. Mas eu tenho pena do empresário no Brasil, porque é uma desgraça você ser patrão no nosso país, com tantos direitos trabalhistas. Entre um homem e uma mulher jovem, o que o empresário pensa? "Poxa, essa mulher tá com aliança no dedo, daqui a pouco engravida, seis meses de licença-maternidade..." Bonito pra c..., pra c...! Quem que vai pagar a conta? O empregador. No final, ele abate no INSS, mas quebrou o ritmo de trabalho. Quando ela voltar, vai ter mais um mês de férias, ou seja, ela trabalhou cinco meses em um ano.

Mas qual seria a solução?
Por isso que o cara paga menos para a mulher! É muito fácil eu, que sou empregado, falar que é injusto, que tem que pagar salário igual. Só que o cara que está produzindo, com todos os encargos trabalhistas, perde produtividade. O produto dele vai ser posto mais caro na rua, ele vai ser quebrado pelo cara da esquina. Eu sou um liberal, se eu quero empregar você na minha empresa ganhando R$ 2 mil por mês e a Dona Maria ganhando R$ 1,5 mil, se a Dona Maria não quiser ganhar isso, que procure outro emprego! O patrão sou eu.

Mas aí a mulher se ferra porque engravida?
É liberdade, pô. A mulher competente... Ou você quer dar cota para mulher? Eu não quero ser carrasco das mulheres, mas, pô...

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