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terça-feira, 8 de julho de 2014

Ensina, Alemanha! Brasil tem aula de futebol no Mineirão e fica fora da final


EFE

Douglas Rocha.

Belo Horizonte, 8 jul (EFE).- A seleção brasileira entrou em campo no Mineirão nesta terça-feira vivendo a expectativa de voltar a uma final de Copa do Mundo em casa depois de 64 anos, mas o que se viu foi uma humilhação e uma aula de futebol por parte da Alemanha, que goleou por 7 a 1 e tentará se tornar tetracampeã no próximo domingo.

Como aponta o placar, o pior da história da seleção, os alemães foram superiores em todos os aspectos do jogo e protagonizaram 90 minutos dignos de um filme para ensinar - ou lembrar - aos donos da casa como é o futebol-arte. Enquanto o Brasil teve jogadores de pouca mobilidade, fracos mentalmente e grandes espaços entre os setores, o 'Nationalelf' mostrou a habilidade e a frieza das grandes equipes, características aliadas à administração da posse de bola com troca de passes objetivas.

Müller chegou a dez gols em Copas, cinco apenas nessa, o que o coloca como vice-artilheiro isolado, e abriu o placar. Na sequência, dos 20 aos 30 minutos, para espanto de milhões - talvez bilhões - de espectadores mundo afora, a seleção brasileira apagou. E pagou o preço tendo que buscar quatro bolas no fundo da rede. A primeira foi deixada lá por Klose, que chegou a 16 em quatro participações em Copas do Mundo, superou Ronaldo, que tem 15, e se tornou o maior artilheiro da história do torneio. Kroos, duas vezes, e Khedira também marcaram. Na etapa final, Schürrle fez dois, e Oscar descontou.

No próximo sábado, o Brasil terá que mostrar em Brasília que soube recolher os cacos e mostrar que aprendeu ao menos um pouco do que foi ensinado em Belo Horizonte para buscar o terceiro lugar, contra o derrotado no confronto entre Argentina e Holanda, marcado para esta quarta na Arena Corinthians. No domingo, no Maracanã, a Alemanha fará a decisão diante do vencedor do duelo de São Paulo.

Depois de muito mistério em torno da escolha do substituto de Neymar, o eleito por Luiz Felipe Scolari foi Bernard, mantendo assim a estrutura da equipe no 4-2-3-1. As outras dúvidas na seleção brasileira, ao menos para torcedores e jornalistas, eram a lateral direita, em que Maicon foi mantido, e na zaga, em que Dante foi o substituto do suspenso Thiago Silva.

Na Alemanha, os "professores" escolhidos por Joachim Löw foram os mesmos 11 titulares vitória sobre a França nas quartas, com Höwedes improvisado na lateral esquerda e Klose isolado na frente.

A seleção brasileira começou em cima e tratou de dar um susto no adversário logo aos três minutos de bola rolando, em chute cruzado de Marcelo, que passou rente à trave esquerda. Era apenas o atrevimento típico de um aprendiz quando enfrenta seu mestre.

A tricampeã mundial não demorou a igualar as ações e abriu o placar aos 11 minutos. Era a lição um: não dar bobeira na marcação em jogadas de bola parada. Kroos cobrou escanteio da direita, os marcadores ficaram apenas olhando e Müller apareceu livre na pequena área para completar para a rede.

Os donos da casa tentaram sair ainda mais, e os ânimos ficaram mais quentes logo aos 17. Marcelo foi lançado por Hulk, entrou na área e caiu após a chegada de Boateng. O lateral e o zagueiro se estranharam, e o árbitro levou na conversa.

Na sequência, vieram os piores dez minutos da história do futebol brasileiro. Impiedosa, a equipe visitante ensinou como tocar a bola e aproveitar buracos na defesa e o abatimento psicológio do oponente.

Aos 22, Kroos deu ótimo passe para Klose, que até parou em milagre de Julio César na primeira, mas completou no rebote e se tornou o maior artilheiro da história das Copas, com 16 gols. Dois minutos depois, Lahm desceu pela direita, cruzou por baixo e dois alemães tiveram liberdade para finalizar. Müller furou feio, mas Kroos apareceu para marcar o terceiro, enchendo o pé no canto esquerdo.

Todo mundo ainda lamentava mais um gol sofrido quando aconteceu o quarto, passados apenas alguns segundos. Fernandinho errou o passe à frente da área, Khedira adiantou e mais uma vez Kroos apareceu sozinho para fazer o segundo dele.

A pane ainda durou mais alguns instantes, tempo suficiente para os alemães "encherem a mão", aos 29. Khedira roubou a bola na intermediária de ataque, tabelou com Özil e, com Julio César caído, tocou entre os zagueiros.

Em um primeiro momento, o 'Nationalelf' não teve misericórdia e diminuiu o ritmo, e por pouco não fez o sexto aos 31. Lahm, mais uma vez, teve espaço na direita e tocou na entrada da área até Kroos, que chegou batendo. Após desvio em Dante, a bola saiu em escanteio.

À vontade em campo, mas sem se esforçar muito, a Alemanha controlava o jogo como queria e brincava com seus "alunos", sem permitir que eles criassem uma oportunidade sequer. E ainda pôde se dar ao luxo de poupar o zagueiro Hummels, que veio para o Brasil com um problema na coxa direita. Mertesacker entrou em seu lugar.

Na seleção brasileira, Felipão manteve sua linha de trocar as mesmas peças. Hulk saiu para a entrada de Ramires, e Paulinho substituiu Fernandinho.

Em oito minutos de etapa final, a equipe anfitriã criou mais que em todo o primeiro tempo, mas era apenas um professor "permitindo" que o aprendiz gostasse um pouco da aula. Aos quatro, Ramires tocou no meio para Fred, que adiantou para Oscar. O meia tentou cruzar por baixo, e Neuer tirou com um tapa.

Espectador de luxo, o goleiro alemão cresceu quando necessário. Em mais um passe de Ramires, aos seis, Oscar soltou a bomba em cima do camisa 1. Logo na sequência, aos oito, Paulinho apareceu cara a cara e chutou duas vezes, ambas interceptadas por Neuer.

Sem se abalar, a equipe europeia se mostrou ao menos atenta na partida, e Julio César teve que trabalhar aos 15. Schweinsteiger preparou para Müller, que buscou o ângulo direito, mas o goleiro brasileiro se esticou e tirou com um tapinha.

Antes do jogo, muito se falou sobre a possibilidade de o Brasil explorar o lado esquerdo da defesa adversária, mas o que aconteceu foi o contrário, e os alemães deram uma lição de como se faz. Mais uma vez nas costas de Marcelo, Lahm foi acionado e tocou para o meio até Schürrle, que substituíra Klose, bateu firme no canto esquerdo, sem chances para Julio César.

Os alemães em nenhum momento debocharam dos brasileiros, mas mesmo assim alguns perderam a cabeça. Mesmo com a posse da bola, David Luiz não gostou de uma dividida de Müller, se virou para o meia-atacante e tentou acertá-lo com a bola, mas furou, aos 32. No minuto seguinte, aconteceu o sétimo. Draxler escapou pela esquerda e serviu Schürrle, que emendou uma bomba. A bola bateu no travessão e estufou a rede.

Longe de ter a força de outros tempos, mas pelo menos com alguma dignidade, o Brasil foi em busca do chamado "gol de honra". Quem tentou antes foi Ramires, aos 39 minutos. O meia do Chelsea dominou perto da meia-lua, girou para cima da marcação e buscou o cantinho esquerdo. Neuer caiu bem e segurou.

Oscar, um dos que mais correram no segundo tempo, conseguiu enfim superar Neuer aos 45. O camisa 11 apareceu por trás da zaga pela esquerda na área, cortou Boateng e finalizou no contrapé de Neuer, num dos únicos momentos de fraqueza de uma equipe praticamente perfeita, ao menos no que foi visto nesta terça.

Ficha técnica:.

Brasil: Julio Cesar, Maicon, David Luiz, Dante e Marcelo, Luiz Gustavo, Fernandinho (Paulinho) e Oscar; Bernard, Hulk (Ramires) e Fred (Willian). Técnico: Luiz Felipe Scolari.

Alemanha: Neuer; Lahm, Boateng, Hummels (Mertesacker) e Höwedes; Khedira (Draxler) e Schweinsteiger; Kroos, Özil e Müller; Klose (Schürrle). Técnico: Joachim Löw.

Árbitro: Marco Rodríguez (México), auxiliado pelos compatriotas Marvin Torrentera e Marcos Quintero.

Cartão amarelo: Dante (Brasil).

Gols: Müller, Klose, Kroos (2x), Khedira e Schürrle (2x) (Alemanha); Oscar (Brasil).

Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte. EFE

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Reprodução de;
EFE