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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Governo divulga nova 'lista suja' do trabalho escravo


A atualização semestral da lista de empregadores envolvidos em trabalho escravo foi divulgada nesta segunda-feira, 30, pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Foram incluídos os nomes de 108 novos empregadores e voltaram à lista outros dois nomes, em razão de determinação judicial. Nesta nova versão, foram excluídos 17 empregadores em decorrência do cumprimento dos requisitos administrativos.

O cadastro tem, atualmente, 579 nomes de empregadores flagrados na prática de submeter trabalhadores a condições análogas à de escravo, sejam pessoas físicas ou jurídicas, cita o MTE. Desse total, o Estado do Pará apresenta o maior número de empregadores inscritos na lista, totalizando 26,08%, seguido por Mato Grosso (com 11,23%), Goiás (com 8,46%) e Minas Gerais (com 8,12%).
A lista está disponível para consulta na internet, no site do MTE. A verificação do nome do empregador na lista se dá por intermédio da simples consulta, por ordem alfabética. O MTE não emite qualquer tipo de certidão relativa ao cadastro.

Schumacher foi submetido a uma nova cirúrgia

Schumacher apresenta uma ligeira melhora

 O piloto alemão de Fórmula 1 Michael Schumacher foi submetido a uma segunda operação cerebral na noite do último dia 30 de dezembro e apresenta uma "ligeira melhora em seu quadro clínico", informaram hoje os médicos do hospital de Grenoble (sudeste da França) onde está hospitalizado já há três dias.

 

A situação está mais controlada do que ontem", declarou o doutor Jean-François Payen em uma coletiva à imprensa.

 Após um novo exame e constatar uma "ligeira melhora", os médicos propuseram à família do desportista uma nova intervenção cirúrgica, que se realizou durante a noite e durou cerca de duas horas.

Durante essa operação, foi possível remover "sem riscos" um hematoma situado na área esquerda do cérebro e foi instalado um dispositivo para diminuir a pressão dentro do crânio, explicaram.

Em um novo exame esta manhã, Schumacher apresentou uma "ligeira melhora" e se mostrou "relativamente estável", ainda que "haja muitas hemorragias cerebrais", informou o chefe do serviço de neurocirurgia do  hospital de Grenoble, Emanuel Gay.

"As próximas horas são cruciais", afirmaram os especialistas que atendem ao piloto Schumacher, que permanece em coma induzido e em estado "crítico" e "frágil".
O sete vezes campeão da Fórmula 1, que na próxima sexta-feira completará 45 anos, se encontra nesse estado desde o último domingo, quando sofreu um trauma severo na cabeça enquanto esquiava nos Alpes franceses.

"Temos ganhado um pouco de tempo em sua evolução", acrescentaram os médicos do hospital de Grenoble, que insistiram em que não podem prever a evolução do paciente e ressaltaram que ainda há "um longo caminho a percorrer."
                                                                                         
Médicos falam da situação de Schumacher - Robert Pratta/Reuters
Mesmo assim, os médicos disseram que transferir Schumacher para outro hospital seria muito perigoso e afirmaram que o tratamento dispensado ao piloto é o mesmo que recebem os demais pacientes desse hospital.

Sua esposa, Corinna; bem como seus filhos, Gina María, de 16 anos, e Mick, de 14, e seu irmão, o também ex-piloto Ralf, o acompanham no hospital. Juntos a eles está um médico alemão e o cirurgião frânces Gérard Saillant, amigo pessoal de Schumacher.

"Não se pode dizer que está ganho. altos e baixos. Hoje é um pouco melhor do que ontem e melhor do que domingo", resumiu Saillant.
"Estamos um pouco menos preocupado do que ontem, mas pode mudar de um dia para o outro", acrescentou.

                                                                                                                     Foto:  Robert Pratta/Reuters

Os médicos disseram que voltarão a falar sobre o estado de saúde de Schumacher só se se houver evoluções consideráveis.
Schumacher bateu contra una rocha quando esquiava no domingo passado às 11.00 horas na estação alpina de Méribel, onde possui uma residência.

A gravidade do golpe fez com que a caixa de transporte que levava se dividisse em duas. Após ter recebido os primeiros socorros foi transferido para o hospital mais próximo em Moutiers.

Inicialmente, a estação disse que o acidente não era grave, porém o estado de saúde do alemão começou a piorar, duas horas depois do acidente, teve que ser trasladado de helicóptero ao hospital de Grenoble, por ter mais condições para tratá-lo.

Schumacher chegou em coma ao hospital e foi submetido a uma primeira cirurgia neurológica de urgência. Para facilitar a recuperação cerebral, foi mantido em coma induzido durante a operação estado em que permanece.


Fonte: Semana
Tradução: Jorge Firmino

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Globo - Fantástico - José Mujica - Presidente mais pobre do mundo

O 'presidente mais pobre' do mundo ainda anda de fusca e doa 90% do seu salário

 
Colunista
 
Como prometido antes da eleição, o presidente do Uruguai José Pepe Mujica ainda mora em sua pequena fazenda em Rincon del Cerro, nos arredores de Montevidéu. A moradia não poderia deixar de ser modesta, já que o dirigente acaba de ser apontado como o presidente mais pobre do mundo.
 pepe mujica mais pobre mundoPepe Mujica em seu fusca. O 'presidente mais pobre' do mundo ainda doa 90% do seu salário.


Pepe recebe 12.500 dólares mensais por seu trabalho à frente do país, mas doa 90% de seu salário, ou seja, vive com 1.250 dólares ou 2.538 reais ou ainda 25.824 pesos uruguaios. O restante do dinheiro é distribuído entre pequenas empresas e ONGs que trabalham com habitação.

“Este dinheiro me basta, e tem que bastar porque há outros uruguaios que vivem com menos”, diz o presidente.

Aos 77 anos, Mujica vive de forma simples, usando as mesmas roupas e desfrutando a companhia dos mesmos amigos de antes de chegar ao poder.

Além de sua casa, seu único patrimônio é um velho Volkswagen cor celeste avaliado em pouco mais de mil dólares. Como transporte oficial, usa apenas um Chevrolet Corsa. Sua esposa, a senadora Lucía Topolansky também doa a maior parte de seus rendimentos.

Sem contas bancárias ou dívidas, Mujica disse ao jornal El Mundo, da Espanha, que espera concluir seu mandato para descansar sossegado em Rincon del Cerro.

Mujica também oferece residência oficial para abrigar moradores de rua

O presidente do Uruguai, José Mujica, ofereceu nesta quinta-feira (31) sua residência oficial para abrigar moradores de rua durante o próximo inverno caso faltem vagas em abrigos oficiais do governo.

Ele pediu que fosse feito um relatório listando os edifícios públicos disponíveis para serem utilizados pelos desabrigados e, após os resultados, avaliará se há a necessidade da concessão da sede da Presidência. De acordo com a revista semanal Búsqueda, Mujica disponibilizou ainda o palácio de Suarez y Reyes, prédio inabitado onde ocorrem apenas reuniões de governo.

No último dia 24 de maio, uma moradora de rua e seu filho foram instalados na residência presidencial por sugestão de Mujica ao Ministério de Desenvolvimento Social. Logo após o convite, contudo, encontraram outro local para se alojar.

O presidente não mora em sua residência oficial, pois escolheu viver em seu sítio, localizado em uma área de classe média nas redondezas de Montevidéu. Nem mesmo seu antecessor, o ex-presidente Tabaré Vázquez (2005-2010), ocupou o palácio durante seu mandato. Ambos representam os dois primeiros governos marcadamente progressistas da história do Uruguai.

No inverno do ano passado, pelo menos cinco moradores de rua morreram por hipotermia. O fato causou uma crise no governo e acarretou na destituição da ministra de Desenvolvimento Social, Ana Vignoli.

Moradias populares

Em julho de 2011, Mujica assinou a venda da residência presidencial de veraneio, localizada em Punta del Este, principal balneário turístico do país, para o banco estatal República. A operação rendeu ao governo 2,7 milhões dólares e abrirá espaço para escritórios e um espaço cultural.


A venda dessa residência estava nos planos de Mujica desde que assumiu a Presidência em março de 2010. Com os fundos amealhados, será incrementado o orçamento do Plano Juntos de Moradias. Também é planejado o financiamento de uma escola agrária na região, onde jovens de baixa renda poderão ter acesso a cursos técnicos.

 Vídeo divulgado no Youtube mostra Mujica em seu fusca. Assista:
mujica mateando en el Fusca

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Em Brasília, 900 presos esperam vaga no semiaberto


Levantamento feito pela Defensoria Pública do Distrito Federal mostra que a ausência de vagas para cumprimento do regime semiaberto faz com que pelo menos 900 presos que têm direito a cumprir esse tipo de pena estejam em regime fechado. De acordo com o órgão, muitos dos detentos condenados originalmente ao semiaberto chegam a levar mais de um ano para conseguir transferência.
                                           

No presídio da Papuda, um dos dois estabelecimentos prisionais voltados ao semiaberto no Distrito Federal, que já conta com 700 detentos além da capacidade, bastou pouco mais de dois dias para que houvesse vagas destinadas a abrigar os condenados no julgamento do mensalão, como o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. 

Segundo a Defensoria, detentos que deveriam cumprir o semiaberto originalmente são colocados de forma improvisada em uma área de segurança máxima do presídio. Desde 2006, o bloco G do pavilhão 2 do complexo penitenciário da Papuda não recebe condenados ao regime fechado para dar espaço aos que estão no semiaberto. 

O coordenador do Núcleo de Execução Penal da Defensoria Pública do Distrito Federal, Leonardo Melo Moreira, diz que a situação do bloco mencionado é ainda pior que a dos destinados ao regime fechado. Segundo ele, em razão do baixo efetivo policial, os presos não podem tomar banho de sol todos os dias, direito desfrutado com maior frequência pelos detentos do regime fechado. Além disso, alguns dos presos do fechado podem trabalhar e fazer cursos, possibilidade que não existe para aqueles do semiaberto que estão no bloco G. 

Em decisões recentes, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios tem entendido que, embora de segurança máxima, o estabelecimento permite abrigar os detentos em ala específica e separada, não havendo, portanto, constrangimento ilegal nesses casos. 

É esse local que há seis meses abriga Warlles da Silva Alves. Condenado a 12 anos de prisão em regime fechado por tentativa de homicídio, ele ganhou o direito de progredir para o semiaberto após cumprir seis anos da pena. No bloco G, Warlles fica em uma cela que tem capacidade para oito presos, mas chega a abrigar 20. 

A mãe do detento, Marineide da Silva Alves, procurou a Defensoria Pública em busca de apoio para conseguir a transferência do filho. Ela conta que ele já tem oferta de emprego há meses, o que permitiria que fosse transferido para o Centro de Progressão Penitenciária e saísse para trabalhar todos os dias. Para ganhar a permissão, entretanto, Warlles precisa de uma avaliação psicológica. Segundo Marineide, o exame ainda não foi feito por falta de médicos. 

Diferenciado.
O cenário de improviso de espaços, superlotação e longa espera por vagas não prevaleceu para os condenados no processo do mensalão. A ordem de prisão foi expedida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, na sexta-feira, 15 de novembro. Foram sentenciados ao regime semiaberto Dirceu, o deputado federal licenciado José Genoino (PT-SP) e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, além do ex-deputado Romeu Queiroz (PTB) e do ex-tesoureiro do PL (hoje PR) Jacinto Lamas. Eles passaram o primeiro fim de semana de pena em regime fechado no presídio da Papuda. 

Já na segunda-feira, dia 18, a Vara de Execuções Penais do Distrito Federal determinou a transferência para o Centro de Internamento e Reeducação (CIR), apropriado para esse tipo de pena. O local, que possui 793 vagas, mas abriga cerca de 1.500 pessoas, é voltado para presos do semiaberto que não têm oferta de emprego ou estudos e, portanto, não têm autorização para sair pela manhã e voltar ao local no início da noite. 


Na opinião de Robson Sávio, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, houve uma articulação política para que surgissem as vagas que abrigariam os condenados no processo do mensalão. “Conseguir vagas para esses condenados significa que outros deixarão de cumprir. O fato é que a vaga não existia”, afirma. 

Para Moreira, da Defensoria Pública, o maior problema está na falta de clareza nos critérios de transferência. “Nos parece que não é uma fila. Eles escolhem os presos a bel prazer.”

Antiguidade.
A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal respondeu que, se houver vaga, o encaminhamento dos sentenciados não costuma demorar, sendo quase automático após a liberação do juiz. O órgão, entretanto, informou que, caso não haja vaga disponível no momento da progressão, o condenado precisa aguardar. A secretaria garantiu que a ordem de preenchimento segue o critério de “antiguidade do pedido de encaminhamento”. 

Uma proposta de súmula vinculante que trata do assunto tramita no STF, mas ainda não há decisão. Se aprovada pelos ministros, vai estabelecer o regime aberto toda vez que não houver vagas para o condenado cumprir pena no semiaberto. A definição nortearia todos os outros tribunais do País a seguir o mesmo entendimento.
     
Foto: Estadão Conteúdo
Modelo. Se o atendimento hospitalar e domiciliar concedido ao deputado José Genoino deveria ser o modelo, a realidade não é a mesma. A constatação é da Defensoria Pública do DF. De acordo com Moreira, o problema começa já na constatação da doença. Detentos que precisam ser avaliados no Instituto Médico Legal para identificar a gravidade de um problema de saúde aguardam no mínimo 20 dias, prazo necessário para conseguir um agendamento. 

 Segundo o defensor, os presos com doenças não consideradas de alta gravidade dificilmente conseguem autorização para tratamento externo. O motivo é a falta de efetivo policial para atender toda a demanda de escolta até os hospitais.

No Brasil.
No ano passado, apenas o Paraná teve projetos de semiaberto aprovados no Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Serão sete novas unidades, que vão gerar 1.512 vagas. Questionado sobre as previsões de investimento na área, o Ministério da Justiça informou que estuda a possibilidade de disponibilizar recursos em 2014, mas ainda não há orçamento aprovado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.