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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

As charges e a dor (reprodução do Yahoo)

A tragédia ocorrida na madrugada do último domingo em Santa Maria, Rio Grande do Sul, é maior do que julga nossa filosofia chué. Não fazemos ideia de seus desdobramentos e do tamanho do vazio nos corações de inúmeras famílias da cidade e região. Mas não quero falar aqui da tragédia em si e de seus responsáveis, muito menos da dor, afinal o companheiro de Yahoo! Walter Hupsel já o fez muito bem no texto “Impossível”.
O lance aqui é como um acontecimento dessa magnitude foi retratado pelas charges de jornal, mídia das mais acessíveis e sintéticas dentro da imprensa. Dependendo do assunto, a charge pode ser bem humorada ou reflexiva, mas em ambos os casos precisa ser, necessariamente, crítica. Santa Maria é assunto dos mais delicados – mais de 230 pessoas morreram, todos jovens –, portanto aqui o humor não tem lugar.
O primeiro a surgir veio assinado por Carlos Latuff, o já conhecido chargista-ativista. Ele não perdeu tempo e foi logo mirando seus traços para o jeito sensacionalista e desumano com que a imprensa televisiva trata a notícia e as pessoas.

 


Depois apareceu outro colega aqui do Yahoo!, o Alpino, que delicadamente resumiu a dor de todos nessa imagem de um gaúcho em lágrimas. Não precisou dizer mais nada.
alpino
Então veio Chico Caruso no jornal O Globo e logo depois no Blog do Noblat. Que Noblat é um dos colunistas mais irresponsáveis da imprensa brasileira já é sabido, afinal seu blog é quase todo feito com material de outras pessoas e veículos, e geralmente confunde fofoca, ou sonhos pessoais, com notícia. Mas é sujeito fino que gosta de jazz e música clássica, portanto era de se esperar que tivesse sensibilidade. Qual o quê?! Republicou com galhardia essa mancha no currículo do veterano Caruso, uma tentativa rastaquera de associar a presidenta Dilma com a tragédia. O horror, o horror.

 

Por fim, na Folha de S. Paulo de hoje, Jean Galvão foi o mais feliz de todos. Marcou o Brasil no lugar onde está Santa Maria no mapa do Rio Grande do Sul. Sem texto, sem rostos, só sentimento e solidariedade, material que tem andado em falta nesses tempos cínicos.
 

Atualização: depois que esse texto foi publicado fiquei sabendo no Facebook que o chargista Marco Aurélio, e logo no gaúcho Zero Hora, cometeu na edição de hoje do jornal uma das leituras mais cretinas do incidente ao colocar os jovens mortos na entrada de uma universidade celestial. Não dá para entender como os editores deixam passar isso.