Em relação à decisão de subir de 5 para 7 a classificação da gravidade do acidente, o subdiretor de Segurança Nuclear da AIEA, Viena Denis Flory, reconheceu que a situação "é pior do que pensavam". Flory disse que já tinha conhecimento do vazamento radioativo na central de Fukushima, mas que, até o momento, desconhecia a quantidade de radiação liberada.
- O fato de que o acidente tenha sido situado como 5 [na escala de 7] significa só que, até agora, não tinha sido possível avaliar a abrangência do vazamento.
Flory negou que se possa comparar a situação na central atômica japonesa com a do acidente na usina de Chernobyl, em abril de 1986, na extinta União Soviética (atual território da Ucrânia), o mais grave da história até então.
- Os acidentes são totalmente diferentes. As mecânicas são completamente distintas. E vemos que os níveis de vazamento, como avaliaram os especialistas japoneses, são significativamente diferentes.
O analista francês indicou que os reatores 1, 2 e 3 de Fukushima liberaram, até o momento, 7% da radiação que fora registrada em Chernobyl (autoridades japonesas falaram em até 10%). De qualquer maneira, a agência nuclear da ONU ainda considera a situação em Fukushima como "muito grave", embora tenha garantido que há sinais de recuperação em algumas funções, como a provisão de energia elétrica.
Vida normal e otimismo
O primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, pediu nesta terça aos japoneses que retomem a vida normal. Ele afirmou também que "há espaço para o otimismo" em Fukushima.
Em entrevista coletiva, Kan tentou tranquilizar a população ao informar que as emissões de radioatividade da usina nuclear são cada vez menores.
- Na central de Fukushima a situação progride passo a passo e as emissões de radioatividade seguem tendência decrescente.
O primeiro-ministro ainda explicou que as autoridades decidiram elevar a gravidade do acidente para o nível 7, o máximo na Escala Internacional Nuclear e de Fatos Radiológicos (Ines), após estudar "o alcance da expansão" da radioatividade.
A usina de Fukushima foi seriamente danificada pelo terremoto seguido de tsunami que atingiu a região nordeste do Japão em 11 de março. A central foi golpeada por ondas de até 15 m de altura, o que contribuiu para a explosão de seus reatores e o vazamento de material radioativo na atmosfera. Os trabalhos de reparos em Fukushima são coordenados pela operadora da usina, a Tokyo Electric Power (Tepco).
Fonte: @r7
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